A Moura prevê investir cerca de R$ 200 milhões para atuar como fornecedora no primeiro Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCAP), voltado a sistemas de armazenamento de energia em baterias, conhecidos pela sigla em inglês BESS (Battery Energy Storage Systems). Em parceria com a chinesa CATL, líder global em tecnologias de armazenamento, a companhia disponibilizará os sistemas para as empresas que disputarão a rodada nacional de Armazenamento, marcada para 2 de dezembro e destinada a projetos com conteúdo local.
O histórico da Moura em credenciamento de equipamentos antecede o novo leilão. Seu BESS destinado ao mercado comercial e industrial já possui credenciamento no FINAME desde 2024. O FINAME, instrumento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiamento de máquinas e equipamentos, exige comprovações relativas à fabricação nacional.
O governo federal estabeleceu requisitos específicos para a rodada nacional de Armazenamento. Os contratos terão prazo de 15 anos, com início do suprimento previsto para agosto de 2028. O modelo inclui exigências de conteúdo local e de desenvolvimento nacional de componentes estratégicos. A Moura já consta na relação do BNDES como fabricante de sistemas de armazenamento para o certame.
Para a Moura, conteúdo local deve representar atividade industrial efetiva, e não apenas a importação de sistemas prontos. Engenharia, integração, montagem, testes e serviços realizados no Brasil contribuem para desenvolver fornecedores, gerar oportunidades de trabalho e criar capacidade técnica próxima dos projetos. Em contratos de 15 anos, essa presença também pode reduzir a exposição a riscos logísticos e facilitar manutenção e suporte. Para os investidores que disputarão o leilão, produtos elegíveis ao FINAME podem ampliar as alternativas de crédito, sujeitas às condições de cada operação.
A parceria com a CATL une a tecnologia e a escala internacional da empresa chinesa à experiência industrial e de engenharia da Moura. A CATL aporta sua tecnologia de armazenamento de energia, enquanto a Moura é responsável pela industrialização e integração local dos sistemas. A parceria foi estruturada para atender às exigências de conteúdo local previstas para o leilão.
A capacidade de fornecimento anunciada pela Moura para atender às empresas participantes do leilão, acima de 8 GWh, está associada à estratégia de expansão de uma base produtiva e técnica já existente. A companhia produz o Moura BESS em Belo Jardim (PE), enquanto a unidade de Itapetininga (SP) concentra suporte técnico e pós-venda de soluções em lítio. Com quase 70 anos dedicados às tecnologias de acumulação de energia, a Moura iniciou o desenvolvimento de BESS em meados da década de 2010 e apresentou o Moura BESS em 2019.
Hoje, reúne experiência em mais de 40 projetos instalados no Brasil, com aplicações em indústria, agronegócio, saúde, saneamento e entretenimento, além do setor de geração, transmissão e distribuição de energia. O investimento de cerca de R$ 200 milhões inclui expansão recente e um novo ciclo de ampliação e modernização fabril, para que o complexo produtivo da Moura em Belo Jardim (PE) esteja pronto para atender projetos de grande porte.
A Moura considera relevante para o desenvolvimento do setor o anúncio feito pelo Ministério de Minas e Energia no fim de setembro sobre a realização de leilões adicionais nos próximos anos. O cronograma divulgado para o período de 2027 a 2029 prevê três certames abertos a soluções de armazenamento em baterias. A companhia afirma que a previsibilidade na demanda é fundamental para a realização de investimentos ainda maiores e para atender às agendas de conteúdo local. Um calendário recorrente de contratação permite à indústria planejar a ampliação da capacidade fabril, a nacionalização progressiva de componentes e a formação de profissionais especializados.
A combinação de experiência industrial, tecnologia e presença local também é estratégica para a segurança dos investimentos. Projetos de armazenamento precisam funcionar com confiabilidade durante muitos anos, exigindo manutenção, acompanhamento técnico e capacidade de resposta ao longo de toda a operação. Em contratos de longo prazo, como os previstos para o novo mercado de reserva de capacidade, a escolha dos parceiros precisa considerar não apenas o custo inicial dos equipamentos, mas também a solidez tecnológica, a continuidade dos serviços e os riscos associados à operação. São exigências que tornam a experiência acumulada e a estrutura de atendimento da Moura no país relevantes para as empresas que disputarão o leilão.
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